sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DESPERTOU PRECONCEITO CONTRA O NORDESTINO

O germe do ódio está às soltas no Brasil pronto para linchar física e moralmente todo aquele que não for branco, heterossexual, rico e cheio de bens de consumo
A história do início do século 21 parece repetir a do século 20. De um lado, insurgências populares eclodem aqui e acolá. De outro, há o claro crescimento da extrema direita conservadora. Mas há uma diferença significativa, e profundamente preocupante, entre o passado e o presente. Desencantada de sua história e imersa em pequenos conflitos que causam grandes desgastes, a esquerda hoje está muito mais fraca do que há cem anos*.
Desde junho de 2013, muito tem se falado em guinada à direita ou da onda conservadora. O que poucos mencionam, no entanto, com a devida clareza necessária, é que tem emergido uma multidão raivosa e fascista. Essa hipótese se baseia nos fatos que elenco abaixo, os quais se indicam uma tendencia de violência física e moral a diferença e a diversidade.
Há uma sequência de eventos que não podem ser analisados separadamente. Primeiramente, logo após as Jornadas de Junho, veio o ódio e o racismo destilado aos integrantes do rolezinho – ódio este que senti na pele por ter sido agredida de todas as maneiras possíveis quando escrevi o Etnografia do Rolezinho. Não me surpreendeu, portanto, que 82% da população de São Paulo achassem que a força policial deveria agir para impedir o movimento dos jovens – segundo revelou uma pesquisa da época. Depois fomos brindados com o episódio da apresentadora do SBT Rachel Sheherazade, que defendeu publicamente o linchamento do adolescente negro e menor de idade que cometeu um assalto. Nessa linha, o aumento de casos de gays espancados no Brasil acontece paralelamente a torcidas de futebol que gritam “macaco, macaco”, e que trazem à tona uma população que se solidariza mais com uma criminosa branca do que com o agredido negro.
Dando apoio ideológico a esse circo de horrores, angariando milhões de leitores com o sensacionalismo vulgar disfarçado de conteúdo, colunistas das piores – mas igualmente poderosas – revistas do Brasil aplaudem muitos desses eventos e estimulam a disseminação da mentira, ao inferir que, se nada for feito, a ditadura comunista irá imperar sob o reinado de pobres e gays. Controlando os aparatos hegemônicos da mídia e disseminando mentiras, os grupos dominantes elegeram a mais conservadora bancada de sua história – ato que não poderia ter sido plenamente realizado sem a eclosão incontrolável de ofensas criminosas aos nordestinos. Finalmente, mas não menos importante, o recente caso da suspeita de ebola desvelou crimes de racismo, xenofobia e intolerância humana de uma vez só.
O fascismo brasileiro é mais complexo do que o italiano ou o nazismo alemão. Ele é mais difícil de identificar, possui um ódio mais pulverizado direcionado uma massa ampla e difusa. É animado por uma mídia suja, uma polícia violenta, um movimento religioso fanático e uma elitesui generis que, na teoria, defende o liberalismo, mas na prática age para defender privilégios.
Ao passo que os italianos e alemães viam seu povo como superior, o fascismo idiossincrático à brasileira não idolatra a si próprio, mas sim aqueles países que lhes barra na imigração.
A semente do fascismo tropical está presente em todas as classes, em todas as regiões. Há quem diga que ele piorou após Junho de 2013. Há quem acredite que sempre foi assim e que ele apenas mostrou sua cara como tendência da polarização. Há quem diga que se trata apenas de um resultado das leves mudanças das estruturas da profunda desigualdade brasileira ou mesmo do limbo entre Junho de 2013 e as eleições de 2014. Em qualquer uma das hipóteses, o germe do ódio está às soltas no Brasil pronto para linchar física e moralmente todo aquele que não se enquadra establishment masculino, branco, heterossexual, rico, bem-sucedido e cheio de bens de consumo.
A ameaça comunista é uma mentira. A ameaça fascista é uma realidade.
Eu gostaria de encerrar minha coluna olhando para frente, elencando algumas atitudes que me parecem urgentes para a esquerda, ou para todos aqueles que entendem que a universalidade da humanidade está em sua capacidade de produzir a diferença.

Primeiro, me parece fundamental não eleger Aécio Neves (PSDB), que se alia às piores figuras dessa nova bancada. Isso não significa que as alianças de Dilma Rousseff (PT) sejam menos sórdidas. A diferença é que o PT ainda tem uma base forte calcada nos movimentos sociais. Para os petistas à esquerda, o dever de casa é, depois do susto, lutar para reconstruir suas antigas bandeiras. Para a esquerda não petista, partidária ou anarquista, é preciso ampliar sua base popular. Em ambos os casos, como eu disse há poucos dias nas minhas redes sociais, ficar xingando a tudo e a todos de coxinha me parece uma estratégia burra para quem é minoria neste País.
Contra a onda fascista, a esquerda precisa se fortalecer, se entender, reconhecer suas fragilidades, ocupar os meios de comunicação de massa, ampliar a base de diálogo, ouvir a população e falar para ela, reconstruir seus heróis e lembrar que nenhum aparato dominante é mais forte do que o genuíno sonho por justiça social.
FONTE: http://www.cartacapital.com.br/

PRECONCEITO DO PSDB CONTRA NORDESTINO É COMENTADO POR TIRIRICA

Eleito com mais de 1 milhão de votos, deputado federal fala de discriminação, polêmicas e ataca a teoria do voto de protesto

Diante da onda de comentários preconceituosos contra nordestinos nas redes sociais, Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, afirma que passou à margem da polêmica. Aos 49 anos, ele é um dos quatro nordestinos que foram eleitos para uma vaga de deputado federal por São Paulo. Cearense de Itapipoca, recebeu 1.016.796 votos neste ano, ficando em segundo lugar, atrás apenas de Celso Russomanno (PRB), e pela segunda vez rompeu a marca de um milhão de votos. Em 2010, havia sido o mais votado com 1.353.820 de votos.
Além de Tiririca, São Paulo terá somente outros três representantes nascidos na região Nordeste. Luiza Erundina (PSB), de Uirauna (Paraíba), Orlando Silva (PCdoB), de Salvador (Bahia), e Vicentinho (PT), de Santa Cruz (Rio Grande do Norte). Juntos, somaram 1.373.717 votos. Nada que apague a onda discriminatória vinda das regiões Sul e Sudeste que parece responsabilizar o eleitor nordestino pelas vitórias petistas das últimas disputas eleitorais nacionais.
Tiririca diz que não sofreu discriminação. "Para mim não atingiu nada, não. Na rua, e fizemos muitas caminhadas, não sofri com esse tipo de coisa", garante ele. Sobre as manifestações na internet, ele explica que tem seu método próprio de lidar com a situação, busca ignorar esse tipo de expressão pública. "Não gosto de sofrer com esse tipo de coisa. Eu evito. Não quero nem ouvir e assim levamos a vida", resume.

Tiririca ainda parece não lidar muito bem com uma contradição. Embora se venda como palhaço no horário eleitoral, abusando de seus talentos humorísticos seja na pele do personagem que lhe deu fama, seja fazendo sátiras e imitações, não gosta dessa abordagem.
O Tiririca deputado, diferentemente do Tiririca candidato, não gosta de ser tratado como palhaço. "Cheguei aqui e achavam que só seria palhaçada e com o tempo viram que não é por aí", diz ele. Reclama que a imprensa só se interessa pelo lado cômico de sua personalidade e não dá espaço para seus planos políticos. Entretanto, é vago ao falar do assunto. Defendeu projetos que beneficiam artistas de circo e diz que agora vai além, sem entrar em detalhes. "Vamos apresentar. Vou atirar para todos os lados", declara.
O deputado fala com bom humor sobre o processo do qual é alvo por ter usado uma música de Roberto Carlos numa paródia veiculada no horário eleitoral. Ele fez uma versão de O Portão, sucesso da dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos. "Não sei se ele chegou a ver (a paródia), sei que não foi ele (que entrou com a ação), mas ser processado pelo Roberto Carlos é lindo. Na audiência eu ia ficar ali ao lado dele sentado agradecendo a chance. Mas está certo, tem de pagar direitos autorais. Mas até agora não chegou nada oficialmente para mim", afirma Tiririca.
Como o senhor analisa essa onda de preconceito contra nordestinos em função das eleições?
Tiririca - Para mim não atingiu nada, não. Na rua, e fizemos muitas caminhadas, não sofri com esse tipo de coisa.

Mas nas redes sociais houve muitas mensagens e coisas desse tipo.
Tiririca - Não acompanhei. Se houve isso, é lamentável para a gente que é nordestino. Fico triste, mas a gente sabe que existe. Não é só contra o nordeste, é contra pobre também. A gente lamenta. Não gosto de sofrer com esse tipo de coisa. Eu evito. Não quero nem ouvir e assim levamos a vida.

O senhor sentiu esse tipo de preconceito em algum momento na campanha?
Tiririca - Não. Não só na campanha, mas desde que comecei, lá com a Florentina, não sofri isso. Não sei se sou abençoado. Vim de lá e não senti isso. Não sei se é meu jeito. Fui bem recebido, São Paulo me adotou como filho e foi uma coisa linda. Diziam que era voto de protesto…

E não foi voto de protesto?
Tiririca - Acho que é protesto demais, não? Duas vezes? Acho que gostam do artista e do trabalho que fazemos aqui.

O senhor então rejeita o argumento do voto de protesto?
Tiririca - Totalmente. Não existe isso. Fui para as ruas, falei com as pessoas. Não sofri rejeição graças a Deus. Tenho de agradecer a Deus e ao povo de São Paulo e aos nordestinos que vivem em São Paulo. Um milhão de votos, pela segunda vez! Isso é a coisa mais linda. Se é protesto que venha, mas acho que é pelo trabalho que fiz. O sucesso não subiu à cabeça. E olha, sem prometer nada para ninguém, ter um milhão de votos, isso é lindo. Não fiz campanha prometendo nada.

O Roberto Carlos entrou na Justiça para tirar do ar uma de suas peças do horário eleitoral, como é que o senhor recebeu essa ação dele?
Tiririca - Não foi o Roberto Carlos, foi a gravadora dele. Não sei se ele chegou a ver, sei que não foi ele (que entrou com a ação), mas ser processado pelo Roberto Carlos é lindo. Na audiência eu ia ficar ali ao lado dele sentado agradecendo a chance. Mas está certo, tem de pagar direitos autorais. Mas até agora não chegou nada oficialmente para mim.

Durante o primeiro mandato, o senhor concentrou sua atuação com projetos voltados para artistas circenses, não conseguiu aprovar nenhum projeto, mas…
Tiririca - É bom que as pessoas saibam que dos 513 deputados aqui da Casa, só 23 conseguiram aprovar projetos. E agora vamos correr para outros lados, para outras coisas. Não vou deixar de lado os projetos voltados para os artistas de circo, mas vou ampliar. E quanto a aprovar, é algo que não depende só da gente. São 513 deputados, eu, um palhaço de circo, sou reeleito porque fui profissional. Marco, estou aqui. Votação, tudo. Não é para aparecer, sou assim. Seja comercial que vou fazer, gravação… Sou muito sistemático.

Quais serão essas novas áreas que o senhor pretende atuar?
Tiririca - Vamos apresentar. Vou atirar para todos os lados.

O senhor desenvolveu uma relação muito cordial com o Romário e ele acaba de ser eleito senador. Isso inspira o senhor a tentar uma vaga no Senado?
Tiririca - Não, não penso nisso, mas ele foi fantástico. As pessoas reconheceram o trabalho dele aqui. Tenho de dar os parabéns para ele. Ele mostrou a que veio.

Depois dessa nova votação que o senhor teve, aumenta a responsabilidade nesse segundo mandato?
Tiririca - Não. A gente já tinha essa coisa. Já sabia. Fiz muita campanha na rua, muita. Quando você vai para a rua, você sabe o que as pessoas querem.

E o que elas querem? O que as pessoas te pediam nas ruas?
Tiririca - As pessoas mais agradecem, pedem para tirar foto, ou para dizer que tinham votado em mim e que votariam de novo. Por isso que não acredito nessa coisa de voto de protesto. Tinha gente que levava segurança para a gente, nas caminhadas. Que político consegue isso? Coisa linda. Um milhão de votos não é para todo mundo.

E como o senhor acha que deve lidar com essa coisa do preconceito?
Tiririca - Trabalho. Isso sempre vai existir. Cheguei aqui e achavam que só seria palhaçada e com o tempo viram que não é por aí. Sou um cara pé no chão. Não dei carteirada em ninguém, converso com todo mundo. Vou para mais quatro anos. Meu gabinete é o mais visitado. Recebo 150 pessoas por dias aqui nas terças e quartas-feiras.

E o que as pessoas querem?
Tiririca - Elas vêm agradecer, abençoar. Recebo pai de santo que vem dar passe, pastor… tem tudo.

Aprovação de Dilma e reprovação de Aécio sobem quatro pontos

Jornal GGN - A aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff alcançou o melhor índice, desde dezembro de 2013: 43% dos entrevistados pelo Ibope consideraram a gestão boa ou ótima. O resultado da pesquisa divulgado nesta quarta-feira (15) representa uma alta de quatro pontos percentuais em relação ao último levantamento, que apresentava 39% de aprovação.
Seguindo a linha de avanço na imagem, Dilma teve uma queda na avaliação dos que consideram a administração regular: de 33% para 31%, e outra diminuição aos que acreditam que a gestão é ruim ou péssima: de 27% para 25%. Não souberam responder 1% dos entrevistados.
 
De acordo com o jornal Valor, analistas acreditam que um patamar a partir de 40% de aprovação de governo é altamente positivo para candidatos à reeleição. 
 
O Instituto Datafolha, que também teve os resultados divulgados nessa quarta-feira, apresentou uma aprovação de 40%, aqueles que consideram a administração de Dilma regular representam 38% e 21% de reprovação. 
 
Ao passo que Dilma teve uma melhora na aprovação, o Datafolha mostrou que Aécio Neves (PSDB) teve um aumento na rejeição. Aqueles que não votam no candidato tucano chegaram a 38%, um acréscimo de quatro pontos percentuais, em relação à última pesquisa. No índice de reprovação, Dilma teve uma queda de um ponto: de 43% para 42%.

CORRUPÇÃO NA PETROBRAS TERIA COMEÇADO NO GOVERNO DO PSDB

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em seu termo de delação premiada ao Ministério Público Federal que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a Petrobras em 2009, informa reportagem da “Folha de S.Paulo” veiculada pelo portal do jornal.
Guerra era senador por Pernambuco e integrava a comissão. Ele morreu em março deste ano e foi substituído pelo candidato à Presidência Aécio Neves no comando do partido.
A “Folha de S.Paulo” informa que ouviu quatro pessoas envolvidas na investigação da Operação Lava-Jato que confirmaram que Sérgio Guerra foi citado em um dos depoimentos que Costa prestou após decidir colaborar com as autoridades. 
Costa teria dito que tomou providências para que o dinheiro chegasse ao senador do PSDB, mas disse não saber se ele recebeu.
Segundo o jornal afirma, o ex-diretor da Petrobras e empresas que prestam serviços à Petrobras tinham como objetivo nessa época encerrar logo as investigações da CPI, porque ela ameaçava prejudicar seus negócios com a estatal.
Até agora, sabia-se que Costa apontou em seus depoimentos como os principais beneficiários do esquema de corrupção o PT, PMDB e PP. 
Em nota, segundo a reportagem, o PSDB disse defender que todas as acusações feitas por Paulo Roberto Costa sejam investigadas.


Fonte: Valor Econômico